No Japão evita-se o uso do termo sobreviventes para as pessoas que sofreram os ataques em Hiroshima e Nagasaki, uma vez que enfatizar que elas ainda estão vivas poderia ser um desrespeito aos mortos. Utiliza-se o termo "gembakusha", que significa "pessoas afetadas pela radiação".
Este blog foi criado com o intuito de compilar textos produzidos pelos alunos da UnB da disciplina oficina literária, oferecida pela professora Elizabeth Hazin no primeiro semestre de 2013. Este espaço tambem será usado para divulgar informações e notícias relativas a livros e textos que possam acrescentar algo à nossa experiência literária.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Provérbios Japoneses
- Saru mo ki kara ochiru
- Literalmente: O Macaco também cai da árvore
- Sentido: Mesmo um especialista pode vir a errar.
- Sumeba miyako
- Literalmente: Onde se mora, capital.
- Sentido: Independente do lugar em que se mora, você pode vir a amá-lo.
- Toranu tanuki no kawa zan'you
- Literalmente: Não conte com a pele antes de apanhar o animal.
- Sentido: Não conte com os ovos antes da galinha os por.
- Tonari no shibafu wa aoi
- Literalmente: O relvado do vizinho é verde.
- Sentido: A galinha do vizinho é mais gorda do que a minha.
- Gou ni itte wa, gou ni shitagae
- Literalmente: Ao entrar na vila, obedeça aos que nela moram.
- Sentido: Em Roma, seja romano.
- Sentido: Dance conforme a música.
- Atama kakushite, shiri kakusazu
- Literalmente: Esconde a cabeça mas não cobre o rabo.
- Sentido: Resolver os problemas parcialmente.
- Nakitsura ni hachi
- Literalmente: Uma abelha para um rosto que chora.
- Sentido: Desgraça pouca é bobagem.
- Onna sannin yoreba kashimashii
- Literalmente: Juntando três mulheres, barulho.
- Sentido: O ideograma barulhento é formado por três ideogramas mulher.
- Nou aru taka wa tsume o kakusu.
- Literalmente: A águia inteligente esconde as garras.
- Sentido: Se você é bom, não precisa sair contando para todo mundo.
- Sentido: Mineirinho come quieto.
- Chiri mo tsumoreba yama to naru
- Literalmente: O lixo, quando acumulado, também vira montanha.
- Sentido: De grão em grão a galinha enche o papo.
- Sentido: Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
- Hana yori dango
- Literalmente: Antes de flores, comida.
- Sentido: Praticidade.
- Iwanu ga hana
- Literalmente: O não falar é uma flor.
- Sentido: O silêncio vale ouro.
- Yabu wo tsutsuite hebi wo dasu
- Literalmente: Mecherique no arbusto e uma cobra dele sairá.
- Sentido: Quem procura acha.
- Baka wa shinanakya naoranai
- Literalmente: A idiotice só é curada pela morte.
- Sentido: Só morrendo mesmo...
- Jishin, Kaminari, Kaji, Oyaji
- Literalmente: Terremoto, Trovão, Incêndio e Pai.
- Sentido: Lista das quatro coisas que um japonês mais deve temer. Fazia sentido quando vivíamos numa sociedade patriarcal.
- Anzuru yori umu ga yasushi.
- Literalmente: Dar luz à um bebê é mais fácil do que se preocupar com ele.
- Sentido: O medo é maior que o perigo.
- Sentido: Uma tentativa é às vezes mais fácil do que o esperado.
- Ningen banji saiou ga uma
- Literalmente: As coisas humanas são como o cavalo de Saiou.
- Dizem que há muito tempo na China havia um ancião chamado Saiou. Um dia seu cavalo fugiu. Seus vizinhos lamentaram seu desfortúnio mas Saiou disse "quem sabe se isso não foi uma grande sorte?". Dias depois o cavalo retornou, trazendo consigo uma égua. Seus vizinhos o congratularam pela boa sorte mas ele disse "quem sabe se isso realmente foi uma grande sorte?". Algum tempo depois o filho de Saiou sai para cavalgar, cai da égua e quebra a perna. Isso foi uma grande sorte pois todos os jovens da localidade foram convocados para o exército do Imperador, e houve muitas baixas. O filho de Saiou foi o único sobrevivente.
- Sentido: O futuro pertence a Deus.
- Fonte: http://pt.wikiquote.org/wiki/Prov%C3%A9rbios_japoneses
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Livro: Tempo Passado - Cultura da Memória e Guinada Subjetiva - Beatriz Sarlo
Sinopse
Interessada na maneira como se reconstituiu a história da ditadura militar, e na memória que dela se tem pela voz de suas vítimas, Beatriz Sarlo analisa neste livro a profusão de relatos, depoimentos e testemunhos surgidos nos anos de transição democrática, tanto na Argentina como em outros países latino-americanos, e mostra como o testemunho em primeira pessoa foi fundamental para a reconstrução do passado. Graças aos relatos de ex-presos políticos, perseguidos e exilados, se abriu o caminho para a condenação do terrorismo de Estado.
Mas esses atos de memória podem ser, alerta a autora, apenas uma versão dos fatos, e correm o risco de, no futuro, ter contestada sua validade como fonte histórica. Seu objetivo é evitar que a história transforme as lendas em realidade. Fundamentando sua pesquisa em trabalhos teóricos sobre cultura e historiografia, numa linhagem que passa por Walter Benjamin e Giorgio Agamben, Jean Starobinski e Paul Ricoeur, Beatriz Sarlo disseca a "virada subjetiva" que se seguiu ao renascimento do "eu", objeto de todos os privilégios, e ampliado em sociedades que vivem a subjetividade não apenas em sua dimensão íntima, mas como uma manifestação pública.
Fonte: Editora Companhia das Letras
Para baixar o livro (página 45 a 129), clique AQUI
Fotos antigas do Japão
Este site contém fotos antigas do Japão no período de 1860 a 1930:
Old Photos of Japan
É muito interessante, pois as fotos estão organizadas por tema e todas têm informações da época e do que se trata.
Vejam algumas fotos bem legais:
Old Photos of Japan
É muito interessante, pois as fotos estão organizadas por tema e todas têm informações da época e do que se trata.
Vejam algumas fotos bem legais:
Festival Setsubun que acontece um dia antes da primavera.
As crianças catam feijões para atrair boa sorte.
Crianças se exercitando na escola (1920).
Noivos (1920).
Família tomando chá em frente de casa (1920).
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Olá caros colegas,
estava pesquisando e me lembrei do seguinte filme, acredito que ele seja útil para recriar a época da guerra.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartas_de_Iwo_Jima
estava pesquisando e me lembrei do seguinte filme, acredito que ele seja útil para recriar a época da guerra.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartas_de_Iwo_Jima
terça-feira, 23 de abril de 2013
"A vida depois da bomba" - Depoimentos das vítimas das bombas
Colegas, vou colar aqui alguns depoimentos de sobreviventes das bombss. Os depoimentos foram retitados do site: http://madeinjapan.uol.com.br/2007/03/12/depoimentos-de-sobreviventes-da-bomba-atomica/
Manabu Ashihara, 76 anos, de Nagasaki - Kamikaze e sobrevivente
“Fui recrutado para a aeronáutica com 15 anos e desde então, fui treinado para ser um kamikaze. Não tinha medo de morrer. Por quê? Era jovem demais e desde pequeno me ensinaram que o Japão era o país divino, que morrer por ele era uma grande honra. Que garoto não gostaria de ser um herói?”, conta Manabu Ashihara. Como não tinha idade suficiente para pilotar um avião, ele aprendeu a lidar com a parte mecânica. Aos 16 anos, em um treinamento sobrevoando o mar, ocorreu um acidente e o avião caiu. Por sorte, conseguiu escapar com vida, mas o oficial que estava pilotando morreu.
“Depois do acidente, fui transferido para a Marinha. Mesmo assim a minha sentença de morte me acompanhou. Fui designado para ser um tripulante do “maruyontei”, uma espécie de barco motorizado pequeno, com 250kg de explosivos. O objetivo era o mesmo de um kamikaze. Minha missão era fazer com que o barquinho se chocasse com o navio inimigo”, conta.
Nenhum “maruyontei” jamais afundou um navio americano. Mas o governo japonês divulgava ao povo que estas missões eram um sucesso. Faz sentido, já que nenhuma mãe permitiria que o filho participasse de uma missão suicida sabendo que esta seria em vão. Mesmo assim ninguém era capaz de se rebelar, pois existia muita opressão. O governo insistia em alimentar a esperança de que ainda poderíamos virar a guerra. A ilusão só foi quebrada quando a bomba explodiu. A tarefa final de Ashihara seria ir à base militar de Okinawa e embarcar num “maruyontei” dia 21 de agosto de 1945. Nesse dia, ele morreria pela pátria.
Por ironia do destino, duas semanas antes da missão, ele recebeu folga e voltou para Nagasaki a fim de reencontrar a família e os amigos. “Foi justamente na minha estadia na cidade que a bomba caiu. Todos os soldados foram designados para ajudar os feridos. Foi uma visão terrível. Não dá para explicar em palavras. Vozes pedindo socorro no meio dos escombros, pais desesperados à procura de filhos desaparecidos e órfãos desamparados. Não havia muita coisa a fazer, a não ser retirar os corpos queimados. Infelizmente são lembranças que nenhum documento pode provar.”
Tieko Kihara, 77 anos, de Hiroshima
Tieko Kihara foi uma vítima de primeiro grau, segundo consta em seu documento recebido pelo governo japonês. Isso quer dizer que ela esteve há menos de 3,5 quilômetros do epicentro da explosão de Hiroshima. Na época, pouco antes da bomba cair sobre a cidade em que vivia, Tieko freqüentava o “jyogakkou”, escola só de meninas, equivalente ao colegial brasileiro. Tinha 17 anos e também trabalhava na fábrica de peças da Marinha japonesa na qual dividia a jornada de trabalho de oito horas diárias com outras duas meninas. Dividindo o tempo entre a escola e o trabalho, Tieko conseguiu passar na faculdade “Hiroshima Jyoshi Senmon Gakkou”.
A matrícula era no dia primeiro de agosto de 1945. Mal ingressou na vida acadêmica, teve de largar os estudos. No quinto dia de aula, na reunião matinal de alunos e professores no ginásio, ela viu um grande clarão. “Parecia um flash muito reluzente de câmera fotográfica, uma luz seguida por um barulho ensurdecedor. Depois veio um vento tão forte que foi destruindo as estruturas do ginásio. Acostumados com treinamentos em situações de bombardeio, todos correram para baixo de suas mesas. Mas o ginásio começou a desabar e os alunos correram para fora, desesperados. Uma amiga minha, que tinha chegado atrasada, estava sentada na parte de trás do ginásio. A vidraça estilhaçada pelo impacto da explosão perfurou o seu rosto. Todos gritavam. Ninguém sabia o que estava acontecendo.
“Parecia o fim do mundo”, relembra Tieko. Por sorte ela não sofreu ferimentos graves na queda do ginásio e levou a amiga para fazer curativos. À medida que se aproximava do hospital, ela observava mais e mais vítimas. “Muitos estavam desfigurados pelas queimaduras, com pedaços da pele do rosto e dos braços pendurados, pedindo ajuda, pedindo um gole de água”, afirma.
Quando chegou em casa, somente à noite, os pais estavam muito preocupados. Seu irmão Hiroshi ainda não tinha voltado. Ele tinha 12 anos e trabalhava quebrando casas, um serviço comum na guerra. Como os bombardeios eram freqüentes, o serviço prevenia incêndios muito grandes, pois as casas, naquela época, eram todas de madeira e grudadas umas nas outras.
“Meu irmão estava trabalhando muito perto do local onde a bomba explodiu. Suas costas e seu rosto estavam totalmente queimados. Levaram-no para o hospital, mas ele escapou de lá no dia seguinte, de manhã bem cedo. Isso porque à noite, Hiroshi ouviu os médicos conversarem sobre a possibilidade de transferir os enfermos para as ilhas próximas à costa. Isso significava que ele poderia não voltar mais. As condições médicas nas ilhas eram precárias, para ser sincera, era só uma desculpa para abrir mais vagas nos leitos dos hospitais. Na fuga, ele não agüentou caminhar de tanta dor e desmaiou. Por sorte, um professor de sua escola que passava pelo caminho o reconheceu e o trouxe até em casa. Mas infelizmente, após duas semanas, Hiroshi não resistiu e faleceu.”
Ao saber do fato, o pai enlouqueceu. O irmão mais velho já não morava mais com eles porque tinha sido recrutado para a guerra. Ela passava a maior parte do tempo fora de casa. O caçula era a esperança da família. “Após a morte de meu irmão, me mandaram para um templo budista, onde morei por alguns meses até me mudar para a casa de meus parentes, no interior. Casei aos 19 anos e me mudei para o Brasil em 1964 onde vivo até hoje”.
Mihoko Ikeda, 65 anos, de Hiroshima
Mihoko Ikeda tinha 5 anos quando a bomba atômica caiu a 7 km da região onde morava, em Hiroshima. Ela estava comendo um doce na casa de uma vizinha e a mãe, Atsuko Hirasaki, trabalhava na horta. “De repente escutei o maior barulho que ouviria na vida e vi um enorme cogumelo de fumaça, que misturava tons de preto, cinza, branco e rosa”, conta Mihoko. A casa dela ficava próxima à estrada e ela foi uma das primeiras a ver as vítimas que fugiam do foco da explosão. Queimados e feridos caminhavam moribundos e pediam água para aqueles que estavam sãos. “No começo, a gente dava água em chaleiras de alumínio. Fazia mal, mas a gente não sabia.
Eles queriam. Mas com a grande quantidade de pessoas que chegavam, tivemos de trocar por um balde”, conta. Próximo a sua casa, havia um templo que foi usado como abrigo para os feridos que não conseguiam mais andar. “A gente tinha pouca comida. Havia batata doce na nossa horta, mas não dava para preparar de um jeito gostoso. No fim, a gente comia muita batata e só um pouquinho de arroz” diz. Ela chegou ao Brasil em 1957 e hoje vive com a família. Em 2003, quando viajou ao Japão, conseguiu uma carteira de vítima da bomba e passou a receber os benefícios referentes.
Yasuyuki Hirasaki, 59 anos, de Hiroshima
Hirasaki é irmão de Mihoko e estava na barriga da mãe quando a bomba explodiu. Ele não tem memórias dos primeiros anos que sucederam a tragédia, mas como a família viveu esses momentos, a bomba fez parte de sua infância.
Na hora da explosão, a mãe cuidava de uma horta e os irmãos estudavam no colégio. “Um deles tinha 10 anos e estava sentado do lado oposto ao das janelas na sala de aula. Foi quando a explosão aconteceu e destroçou as vidraças. Meu irmão recebeu os estilhaços e ficou com uma cicatriz enorme acima do olho esquerdo”, relata Hirasaki.
Quando o aniversário do ataque se aproximava, a mãe de Hirasaki e Mihoko sempre se lembrava da tragédia e só conseguia descrever como “um triste cenário”. “Ela dizia que quando foi para Hiroshima, ela viu de mutilados a queimados. Na beira dos rios, vários corpos”. Em 2004, Hirasaki foi ao Japão visitou o museu de Hiroshima e obteve o direito de receber auxílio do governo japonês. A lei exige que as vítimas estejam no Japão para exames médicos no momento de entrar com o requerimento de ajuda. Essa lei, porém, é muito criticada porque os idosos não têm condições de ir até o arquipélago. “Minha mãe, falecida aos 82 anos, sempre defendia a ajuda a essas pessoas. Ela conseguiu o benefício na época em que podia andar, mas sempre pensou nas pessoas que não podiam”.
Vídeo - Reportagem do Fantástico com Tsutomu Yamaguchi
Aqui esta o vídeo que assistimos em sala de aula!
O link: http://www.youtube.com/watch?v=V5u9nSaxQ00
Assinar:
Postagens (Atom)








